Fique por dentro dos mitos e verdades sobre defensivos agrícolas

defensivos agrícolas
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Os defensivos agrícolas têm estado no centro dos debates no Brasil já há alguns anos. A discussão aumentou depois que o governo federal aprovou a utilização de mais de 290 substâncias no País no ano de 2019.

Os defensivos são insumos usados para controlar as chamadas pragas na lavoura. Esses produtos podem ser químicos (agrotóxicos), físicos ou biológicos. Os que foram aprovados no Brasil recentemente foram os químicos, aumentando a quantidade de substâncias que podem ser usadas para eliminar fungos, ácaros, insetos e até ervas daninhas das plantações.

O assunto é polêmico, pois, de acordo com as Nações Unidas (ONU), agrotóxicos e outras substâncias químicas são responsáveis pela morte de aproximadamente 193 mil pessoas pelo mundo. Por isso, tem crescido também o interesse da população pelos alimentos orgânicos, ou seja, livres de agrotóxicos.

Toda essa discussão a respeito do assunto deixou muita gente confusa sobre o que é verdade e o que é mito quando o assunto são os defensivos. Neste post, nós vamos esclarecer alguns dos principais mitos e as verdades. Fique atento!

O agricultor pode aplicar livremente — mito

Os defensivos agrícolas são um tipo de remédio. Porém, sua aplicação não é feita diretamente no organismo, mas no ambiente de cultivo das lavouras. Assim como todos os outros medicamentos, eles têm indicação de uso que devem ser respeitadas.

São vários os fatores que precisam ser observados. O primeiro deles é a lista de substâncias permitidas no País. Depois, há outros elementos, como o estágio de desenvolvimento da lavoura e as condições meteorológicas no dia da aplicação — principalmente ventos e chuvas.

Cada pesticida tem uma forma de aplicação própria. Alguns precisam que toda a folha esteja embebida na substância. Outros devem ser aplicados no solo. Até o tamanho da gota que será usada é importante para um uso responsável do agrotóxico.

O Brasil é o maior consumidor de defensivos agrícolas — verdade

Recentemente, começou a circular na imprensa a informação de que o Brasil seria o 7° no ranking do uso de agrotóxicos em todo o mundo. Esse dado vem de um levantamento da FAO (divisão da ONU que estuda os alimentos).

Porém, essa pesquisa se baseia em declarações voluntárias (que tendem a refletir um número menor do que a realidade). Além disso, o relatório divide a quantidade de pesticidas usados pela área cultivada.

Nessa conta, entram lavouras, mas também enormes regiões de pasto. Isso faz com que os resultados não reflitam a realidade do Brasil. Levando em consideração outras fontes de dados, o Brasil consome um quinto de todo o agrotóxico produzido no planeta, e isso o torna o maior consumidor do mundo de defensivos agrícolas.

Os defensivos são usados há muito tempo — verdade

O uso de substâncias para defender as lavouras de pragas é uma prática documentada há milênios. Dois mil e quinhentos anos antes de Cristo, os sumérios usavam enxofre para eliminar insetos das plantações.

Mais recentemente, no século XIV, a China registrava o uso de compostos feitos a partir do veneno arsênio para fazer o controle das pragas. O que mudou dessa época para agora foi o tipo de defensivo que se usa em cada lavoura.

Pragas ameaçam lavouras em todo o mundo — verdade

Cada ecossistema tem sua fauna e flora locais, e isso inclui os parasitas. Assim, todas as lavouras terão que enfrentar pragas. O que muda são as espécies que atacam cada tipo de cultura nos diferentes pontos do globo terrestre.

A classificação dos defensivos é indiferente — mito

Até julho de 2019, os pesticidas eram classificados em quatro categorias, de acordo com o grau de toxicidade. A Anvisa emitiu um novo marco regulatório das substâncias, mudando essa forma de classificação. Passaram a ser seis categorias, que vão desde “extremamente tóxico” até “improvável de causar dano agudo”.

Essa classificação diz respeito ao risco que a substância apresenta. Os venenos “extremamente tóxicos” e “altamente tóxicos” podem causar morte caso entrem em contato com a pele ou com os olhos.

Os pesticidas “moderadamente tóxicos” apresentam risco de intoxicação caso sejam ingeridos ou entrem em contato com os olhos. A intoxicação também pode acontecer se o usuário respirar vapores saídos do defensivo.

Na terceira classe de agrotóxicos, estão aqueles que apresentam menores riscos. Os “pouco tóxicos” são nocivos se ingeridos ou inalados. Já os “improváveis de causar danos” podem ser perigosos caso haja ingestão ou entrem em contato com a pele e os olhos.

Por último, vêm os defensivos não classificados. Esses não apresentam riscos conhecidos para a saúde dos usuários. Mesmo assim, devem ser usados com responsabilidade e respeitando todas as boas práticas do uso de substâncias químicas.

Os defensivos agrícolas só fazem mal à saúde — mito

O Ministério da Agricultura e a Anvisa têm protocolos muito rígidos para a aplicação dos defensivos agrícolas. Esses protocolos incluem não só a forma de aplicação das substâncias, mas também de armazenamento, transporte e descarte das embalagens.

Tudo isso tem o objetivo de garantir o uso seguro dos agrotóxicos, evitando problemas de saúde para o fazendeiro, seus familiares, empregados e até clientes.

No entanto, a pesquisa do farmacêutico e doutor em Saúde Pública Pedro Henrique Barbosa de Abreu revelou que as regras para o uso seguro não podem ser cumpridas, principalmente pelos agricultores familiares. Em alguns casos, faltam recursos. Em outros, falta informação correta — e muito frequentemente faltam as duas coisas.

Para contornar isso, o especialista sugere, entre outras práticas, o uso dos defensivos biológicos. Ou seja, produtos que utilizam substâncias naturais para o controle das pragas que podem atacar as lavouras.

Esse controle biológico pode ser feito de duas formas: a primeira é pelo uso de princípios ativos presentes em fungos, bactérias, vírus e até predadores. O outro é pela inserção de um predador natural que faça o controle dos parasitas que atacam a lavoura.

Fazendo uso dessa tecnologia no lugar dos defensivos agrícolas, o produtor rural evita os riscos associados ao uso dos químicos.

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