Guia completo: expectativas e tendências para a safra 19/ 20

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1. Introdução

O cenário de 2018/19 contribuiu para uma boa safra em todo o país, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste, onde houve uma regularização rápida da chuva na primavera. Isso permitiu um recorde na instalação de grãos em estados importantes, como o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul.

Para 2019/20, de acordo com Celso Oliveira, meteorologista do AgroSomar, o cenário será um pouco mais desafiador, pois o Brasil tende a enfrentar um clima de neutralidade, sem a influência do calor do El Niño ou o frio de La Niña.

O que aconteceu na região central ano passado (2018) foi excepcional. As condições climáticas foram muito boas para grãos. Já esse ano volta para a situação normal, que é de alguma dificuldade para o produtor. Mas não se trata de uma dificuldade em que ele não conseguirá produzir nada“, prevê Oliveira.

A neutralidade muda um pouco a qualidade da chuva no Brasil: ela não vai demorar a acontecer. Em 2018, quando a chuva começou, não parou mais. Este ano, ela volta com uma situação considerada normal para a região central do Brasil. 

Ou seja, a chuva volta na segunda quinzena de setembro. No entanto, há uma expectativa de uma parte de outubro com o tempo seco e quente, o que traz algumas preocupações.

O produtor pode aproveitar as chuvas de setembro para fazer uma instalação e, eventualmente, perder parte desse trabalho, caso a planta não aguente o calor excessivo e o tempo seco que vem logo à frente. Isso pode resultar em perdas e na necessidade de um replantio.

Até o momento, a maior preocupação é com o mês de outubro, quando a chuva deverá ser mais irregular. “O produtor precisa ter atenção este ano, porque a chuva não demorará para vir“, alerta Oliveira.

Além disso, há ainda outro ponto que merece atenção, principalmente para os agricultores que estão na região central do país. Na colheita realizada em janeiro de 2019, o clima ajudou. Mas, para o próximo ano, o cenário tende a ser um pouco diferente.

De acordo com o meteorologista, a atividade de colheita da primeira safra e o plantio da segunda devem acontecer de forma mais lenta do que foi observado em 2019.

Se o agricultor reclama que está ruim agora, vai mudar e melhorar. Mas tem que tomar cuidado, porque se o clima ajudar, ele tem que estar atento ao próximo passo. Provavelmente isso não será duradouro, e as vacas magras podem retornar. O produtor tem que ter atenção às oscilações para tentar se proteger nos períodos em que o clima não for ajudá-lo“, adverte Oliveira.

 2. El Niño e La Niña

O ano de 2019 foi marcado pela ocorrência de um El Niño fraco. “O El Niño é um aquecimento exagerado do Oceano Pacífico“, explica o meteorologista Celso Oliveira. Esse aquecimento nas águas do oceano causa uma alteração no tempo em várias partes do globo terrestre, incluindo algumas regiões do Brasil.

Quando se tem o El Niño, o risco de estiagem diminui e isso aumenta a produção de grãos. Por outro lado, o trigo é uma cultura de inverno, que gosta de temperaturas baixas e ele não suporta muita chuva, acaba tendo uma diminuição da produtividade“, comenta o meteorologista.

Com La Niña, acontece mais ou menos o oposto: há um esfriamento das águas do Oceano Pacífico, que gera outro conjunto de alterações sobre o globo terrestre. Não necessariamente os efeitos são totalmente contrários aos de seu fenômeno “irmão”, El Niño, mas há mudanças no clima usual das regiões.

Porém, em 2019/20, o que vai acontecer é um período de neutralidade. Isso quer dizer que a temperatura do Pacífico não volta a subir e não fica nem quente e nem fria o suficiente para que seja decretado um novo cenário.

Aqui é necessário um destaque: a neutralidade não significa que a temperatura fica dentro da média, pois sempre há variações. Tais variações de temperatura que acontecem provocam o que, na meteorologia, chama-se de variação intrasazonal. Ou seja, com a neutralidade, há variações do comportamento atmosférico dentro de cada estação.

Pode começar com um verão chuvoso, mas no meio da estação ficar seco — é semelhante ao verão de São Paulo em 2019. O início do verão foi quente, mas fevereiro e março foram mais chuvosos, e isso é uma variação intrasazonal. Dentro do trimestre em que ocorre o verão, houve uma variação razoável. É isso que imaginamos que possa acontecer no Brasil“, analisa o meteorologista.

3. O que esperar para a safra 19/20?

Cada região do Brasil vai reagir a esse período de neutralidade de uma forma diferente, então, é necessário analisar cuidadosamente cada um deles.

3.1. Centro-oeste e Sudeste

Os produtores dessas regiões devem se preocupar com as chuvas de 2020. A tendência é que chova até meados de abril — diferentemente de 2019, quando choveu bem até maio.

O produtor acaba tendo uma janela mais curta, mas não que ela seja insuficiente para uma instalação. Ele consegue fazer uma safra, mas terá que ter atenção ao manejo, aos períodos de plantio“, alerta Oliveira. 

O meteorologista continua advertindo que, algumas vezes, o produtor terá que alterar e tomar decisões em relação à chuva. Outro ponto de cuidado vem em setembro, quando convém não “abusar” demais e plantar tudo, porque no início de outubro a chuva ainda será irregular.

3.2. Sul

Na região Sul, o comportamento do tempo será diferente. Essa parte do país é mais chuvosa na primavera e costuma ser menos durante o verão. Portanto, o alerta não é tão válido para a primavera, mas mais para o verão, quando a chuva tende a ser um pouco mais irregular. Ela fica mais espaçada, e isso pode trazer algum prejuízo e comprometer um pouco a produção agrícola.

Não são grandes perdas, mas o produtor rural tem que ficar muito atento para não colocar os ovos todos na mesma cesta. Não é para fazer uma instalação maciça em um único período do tempo, pois se pegar uma seca no futuro, acaba tendo um prejuízo na fazenda“, aconselha o meteorologista.

A orientação, nesse caso, é plantar um pouco de cada vez. Assim, o agricultor aposta em várias frentes. Se a estiagem realmente acontecer, uma parte da lavoura será prejudicada, mas não a sua totalidade.

Existe a previsão de um verão mais seco e quente do que o normal — justamente o contrário do que está sendo esperado para o Nordeste. Enquanto o Sudeste é mais quente e seco no início da primavera, o Sul do país enfrenta essa situação atmosférica mais comumente no verão, entre os meses de janeiro e fevereiro.

3.3. Nordeste

A chamada região Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — costuma plantar mais tarde as suas culturas, normalmente a partir de outubro. Sem a presença do El Niño este ano, o verão deve ser mais chuvoso. O problema, porém, é que só há regularidade nas chuvas a partir de fevereiro. 

De outubro até janeiro será um período em que o produtor terá que apostar em várias frentes, justamente porque a chuva será muito espaçada. “A ideia é plantar devagar, porque a chuva não será regular nos primeiros meses. Mas a tendência é, a partir de fevereiro, a chuva ganhar intensidade e regularidade“, aposta o meteorologista Celso Oliveira.

Se o produtor conseguir instalar até fim de novembro, ele pode ainda aproveitar esse período úmido e plantar uma segunda safra no meio do verão, porque as chuvas em 2020 serão mais fortes do que em 2019.

A principal dica é não tomar as decisões baseadas no que aconteceu no ano anterior, pois dificilmente os dois anos serão iguais em condições climáticas. No próximo ano, o padrão será diferente.

4. Tendências para a próxima safra

As diferentes culturas vão se beneficiar do clima de neutralidade em períodos diferentes ao longo do próximo intervalo de 12 meses.

4.1. Grãos

Em setembro, o que começa muito forte no Brasil é o plantio da soja que acontecerá no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, além do milho que é instalado no Paraná e no Rio Grande do Sul.

A partir de outubro, é época de começar novamente o plantio da soja, que é cultivada em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Em novembro, começa o plantio voltado para grãos da soja na Bahia, Maranhão, Tocantins e um pouco do Pará. 

Quando chegarmos no início de 2020, entre fevereiro e março, os estados do Mato Grosso e Paraná, que plantaram primeiro a soja, estarão em fase de colheita. Essas mesmas regiões aproveitam, então, para plantar milho ou algodão.

O estado de Goiás, que planta um mês antes, também vai colher um mês antes. E no Rio Grande do Sul, os meses de agosto e setembro têm um plantio de soja de milho. Já em novembro, é a vez da do trigo, já pensando no próximo inverno.

4.2. Café e laranja

Entre as culturas perenes, há o café e a laranja, que na volta do período de chuvas terão uma nova florada. Para essas duas lavouras, é importante que o regime de chuvas seja regular. A partir do momento que ela volta, não pode faltar chuva. “Se falta, a planta perderá a flor por não aguentar o período seco, ou o produtor precisará fazer uma irrigação para manter a umidade no solo até que venha a chuva regular“, esclarece o meteorologista.

No ano de 2019/20, a preocupação no que diz respeito a essas duas culturas está justamente nesse ponto. Há previsão de chuva para setembro, mas tudo indica que outubro seja um mês mais seco. Assim, embora a chuva em setembro dê uma florada nas duas culturas, o agricultor tem que ficar atento para complementar a irrigação em outubro.

4.3. Cana de açúcar

A cana de açúcar é uma cultura colhida e plantada ao longo de todo ano e sempre enfrenta tanto o tempo bom como condições mais severas. Com a seca, os agricultores podem colher a cana. Se começa a chover, a colheita para. No entanto, eles aproveitam para realizar o plantio já da próxima safra.

4.4. Hortifruti

As hortaliças são adotadas como culturas secundárias em muitas propriedades e não se fala muito delas. Mas a lógica é semelhante à das demais lavouras. “A hortaliça é muito rápida. Ela é irrigada, e a cada 30 dias tem a cultura pronta. Já o feijão leva 90 dias para crescer, e o Brasil tem três safras de feijão por ano“, explica Oliveira.

O Brasil importa muitas frutas, como o melão. Uma parte da produção consumida no país é plantada no Nordeste, mas dificilmente a região sofrerá alguma alteração meteorológica que atrapalhe a próxima safra da fruta.

5. Conclusão

O ano de 19/20 para a agricultura será um período de oportunidades. Claramente, o agricultor enfrentará algumas dificuldades vindas do período de neutralidade no qual estamos prestes a entrar. Mas com as ferramentas certas, é possível contornar esses obstáculos e transformá-los em oportunidades.

Atualmente, com a agricultura 4.0, é impensável o agricultor planejar o ano em sua propriedade rural sem uma boa quantidade de dados confiáveis para ajudar na tomada de decisão. Um dos fatores de maior impacto sobre qualquer negócio do campo são justamente as condições climáticas e meteorológicas.

Assim, um serviço de previsão do tempo e clima é uma ferramenta fundamental para evitar perdas e prejuízos, além de otimizar o uso de insumos na fazenda. O melhor, nesse caso, é contratar um serviço de previsão do tempo personalizado, que possa não só informar os dados, mas também interpretá-los de acordo com as suas necessidades.

Tais dados permitirão ao agricultor tomar decisões importantes. No curto prazo, por exemplo, ele pode definir a melhor data para a aplicação de um fertilizante. Se a previsão para os próximos dias for de chuva, ele já sabe que é melhor esperar um pouco, ou o adubo será lavado. O mesmo vale para a aplicação de um defensivo.

No médio prazo, a previsão do tempo atua no planejamento do ano na propriedade. Sabendo como o clima vai se comportar em sua região pelos próximos meses, ele pode determinar o melhor momento para plantar, definir se precisará complementar a irrigação da lavoura, escolher os insumos mais adequados para o período e até se preparar para garantir o conforto térmico do rebanho.

6. Sobre o AgroSomar

O AgroSomar é uma ferramenta que oferece a facilidade dos dados meteorológicos de acordo com as necessidades do seu negócio. Trata-se de uma plataforma online na qual é possível escolher diferentes regiões e culturas a serem monitoradas. 

O AgroSomar dá acesso a previsões de curto e médio prazo, boletins meteorológicos para a sua região, mapas, gráficos, balanço hídrigo, informações sobre o vazio sanitário e muito mais.

As informações são todas apresentadas de forma fácil e acessível. Além disso, a ferramenta pode ser usada no celular. O AgroSomar é um produto da Somar Meteorologia, uma das empresas referência em previsão do tempo em todo o Brasil.

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